Por falar em criações e condições para a biodiversidade, tenho-me visto obrigada a reflectir sobre as potencialidades do nosso território nessa matéria.
Considere-se:
- Os pandas morrem na China por falta de bambu, por apoiarem o Tibete e porque dão fatos de carnaval giríssimos. Nós, nos nossos espaços verdes urbanos, contamos sempre com meia dúzia de canas de bambu, apoiamos o Tibete só porque temos pena de algo de que não estamos na verdade a par e para o Carnaval gostamos é de palhaços. Portugal é um bom local para criar este tipo de ursos budescos.
- Além disso, temos a situação do koala. Bichinho de habitat ameaçado, vê-se muitas vezes esfomeado ou chamuscado, quando as fagulhas dos incêndios australianos lhes alcançam as orelhinhas farfalhudas. Nem de propósito, Portugal tem conseguido fazer decrescer o número de incêndios a cada ano que passa [porque já não vai havendo nada para queimar] e contamos com uma extensa e invasora população de eucaliptos! Ou "cliptos", como diz o meu avô. Imagine-se o negócio que não seria para as empresas madeireiras vender as inúteis folhas aos desgraçados e desenquadrados animais. Imagine-se, também e com calma (que a imagem requer ginástica mental), um koala encolhido numa oliveira no Alqueva e com um entrançado de folhas de eucalipto (do género dos que se fazem às cebolas) dependurado de um ramo, à espera de ser trincado. Sim, à espera. Que os animaizinhos em vias de extinção apresentam perfis claramente suicidas. Nem pela própria vida perdem aquela lentidão de totem.

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