Por isso comprei umas galochas, para quando vou à casa de banho e quando vou pagar à senhoria.
Tem um apartamento nojento no último andar do prédio. Acumula sacos de plástico com coisas a apodrecer, às vezes ainda a mexerem-se, e encharca tudo com água de rosas. É uma senhora peculiar, para não dizer mesmo "assustadoramente estranha e arrepiante".
Não lhe consigo ditar uma idade; é possível que tenha nascido no início do século XIX. Pinta o cabelo grisalhíssimo de um amarelo semelhante ao das canetas fluorescentes. Para dizer a verdade, toda ela é um enorme neon ambulante, os olhos borrados de azul ciano e os lábios pintados fora da sua linha, a vermelho vivo, para parecerem maiores. Adora pedras e âmbar. Ouço-a muitas vezes dizer que também adora animais mas nunca lhe vi nenhum em casa, a passear-se fora dos sacos. Fala muito lentamente, como se o fim não fosse claramente eminente.
15 de maio de 2008
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