- Está boa? - eu aceno, monossílabo algo - Está magrinha, tem de comer se não qualquer dia não consegue vir até cá acima pagar-me - ri-se. Mantenho-me impávida, ela não tem piada e o prédio não tem elevador.
- Não se preocupe, dona Irene. Comida e falta de fome não me faltam... - e lança aquele olhar condescendente dela.
- Vai filha, que deves ter muito que fazer.
- Então até logo, dona Irene.
- Até logo...
Enquanto desço as escadas, tento separar os cheiros que exalam das minhas botas de borracha. Já estou imune à água-de-rosas, tanto que já nem conta como um cheiro para mim. Pelo menos um que valha a pena. Sinto... sumo de laranja, salsichas frescas queimadas. Maionese passada de validade. Raios, não sei como é que ela sobrevive lá dentro.
15 de maio de 2008
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